terça-feira, 27 de setembro de 2011

O Biltre Diante do Anjo


Frente ao gatuno nas ruas da cidade gasta
Entre pessoas incomodadas com sua guisa
Da pessoa maculada e de melancolia rasa
Surge uma figura de bela esperança viva

Qual ciência estava além de sua perspectiva
O olhar piramidal do anjo a que nada escapa
Inquiria o magano por que sua antiga vida
Passava a sua frente sem deixar-lhe nada

Absorto ficou ao ver olhos tão destemidos
Longe de delatar-se um homem sem pudor
Na lente de sua face ardiam os cristalinos
Pela luz augural de profecia e de amor
Por um instante perdia a alma de felino
Noutro desejava voltar ao seu vil lavor
Tal o dom celestial daquela doce criança
Que em si todo o encanto provocava temor
No seu caminho desenhou uma nova aliança.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A sacia e o desejo


A sacia e o desejo
Dois convites para um beijo
Descubro após horas procurando
Como alguém que se extasia
O labor da palavra
Lasciva e quente
A escorrer entre dentes
De uma pessoa
Sedenta da forma
O sem-pudor das linhas não gastas
Passando pelas arestas
De carne, suor, repetidos atos
De um texto-textura-tecitura para além dos corpos
Prontos, ficamos todos, enlaçados nas ondas pós-prazer do teu reggae gostoso...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Te Vir e...

Ficar na tua. 
Já basta                                                             um pouquinho de loucura. 

    Entre                                         o céu                                             
                                                                                                    e a rua.
 
Eu 
            só                    
                       m e viro oriv e m. 
                                                                        

Desligo 
rádio
e
sigo
.
 

[Ilustração: Edu* (Borges...Ops!)Magno e Poema: Sr. Borges]

*Edu tem cinco anos, é apaixonado por fazer desenhos com esferográfica. Hora ou outra se auto-representa com personagns do Maurício de Souza e músicos de sua banda favorita...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Rosa e o Estame

Havia ali três rosas inquietas e breves
Numa madrugada de brisa curta e fria
Não bastava que fossem belas e alegres
Ou que alguma viria a encantar o dia

Se Deus deu a elas tão diferentes nomes
Se uma Rosa Vermelha apaixonaria a vista
Quando outra  Amarela de desejo se tange
Que terceira rosa impressionaria a vida?

Aquela das pétalas feitas de frases
Que todas as cores poderiam ser as suas
Talves rosa corada nascida de milagres

Amor raro, forte de estame, eternas buscas
Que seja azul de verdadeiro amor eterno
Porque sem ela estarei incompleto num deserto.
(Iustração e poema: Sr.Borges)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Dois Santos e Uma Vidente

 O coronel gostava muito também de banhar-se nas águas da enseada de Nª Sª do Tempo, localizada a alguns quilômetros da vila do Cafezal. Ia muito ali por devoção a santinha misteriosa que sustentava um penhasco portentoso apontado para a baia que se liga ao Mucuruçá. Tudo ao redor de onde a santa se destacava, com exceção, é claro, do gramado cintilante que se estendia de onde estava a santa ao caminho da casa dos donos do local e da estrada que dava acesso ao lugar, ruía pelo avanço das águas à beirada da terra firme. “Milagre!”, dizia o Coronel. E nessas idas e vindas do militar ao município de Barcarena foi que o acaso aproximou o coronel aos Farias, de onde surgiria a confiança política e as demais solicitudes....
(...continua em "Para Que Eu Possa Contar-Livro", de Braulino Poça Magno "O tempo e o espaço se reestruturam no discurso." Ilustração: Sr. Borges.)

Quinta Vá-lendo Cultura I: Manifesto "Eu faço"

Eu faço poesia para desabafar,
Para meu contentamento,
Para meu desencanto e meu acalanto.
Faço poesia para que não me torne mais ignorante do que sou e para que não seja degradante diante dos sonhos.
Eu faço poesia para desestabilizar o sentimento humano,
Para purificar espíritos e festilizar razões.
Eu faço poesia para os pobres de espírito,
Para que o significado de cada palavra ultrapasse sua imbecilidade.
Eu faço poesia para o analfabeto,
Para que este ao escutar um poema,
Produzido por uma voz lúcida de um louco qualquer em um desses bares da vida,
Ele possa acalmar sua ignorância.
Eu faço poesia para aqueles que de uma forma mesquinha tentam assassinar nosso vocábulo.
Eu faço poesia de tudo,
Em todo lugar e o tempo todo,
Eu faço poesia para esse e pra'quele,
Sem distinção de cor e credo porque acredito que a vida deva ser bem dita ou Bendita,
Eu faço poesia pra ser confundido com criatura e criado.
Eu faço poesia contra os pensamentos medíocres,
Porque são neles que estamos mortos,
Eu faço poesia pra morrer feliz e pra morrer melhor,
Porque ela serve como ópio,
Eu faço poesia porque acredito que a vida sem poesia não é vida,
Eu faço poesia e tem gente que não faz,
Mas para me escutar e isso pra mim é imprescindível.
[Lacerda, Manifesto (in) Completo "Eu faço" in PERSONA'RTE. Iustração: Sr.Borges]

terça-feira, 26 de julho de 2011

O Verão Contra Mim

Há entre eles poréns
E eu aqui quase sem
Fico a esperar pela brisa
Não torna, em vez disso
Ocorre que nenhum vento sai da praia
Tudo permanece inerte
Nesse refluxo que é a vida
Das crianças, esperanças tortas
De um tortuoso verão
Da areia que aquecida pelo Sol
Para as pessoas e para esses gãozinhos de tardes
O que nos resta nesse tanto-desencanto
Não dá nem para remar
Meu barco perdeu-se enterrado na areia...
(Iustração e poema: Sr.Borges)