Não é minha voz que enrouquece,
Não são meus pensamentos que se turvam,
Tampouco minhas mãos gesticulando confusas.
Não, terminantemente não está em mim a lucidez que teus olhos querem ver.
Fiz-me belo e alinhado como Wilde,
Límpido e transparente como Lorca
E mesmo assim a rima deixou teus lábios sem nada beijar.
Cortina negra,
Parte que decora a casa, meu ambiente,
Estronda em ti o medo do que não é reflexo.
Não mereces assim o meu grito nos espaços que teces para a história.
Sou o poeta do canto não esperado,
Com o fundo lírico cortante e trágico,
Não esperarei ser trasladado contigo para o país dos homens felizes!
*In: Eus ou os tênis usados de Virgínia Olff, poesia, no prelo

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