quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

As Mirtáceas Naquela Alameda

          Já não conseguia entender todos os teus sinais.
       Retardo...

      As paralelas decrescentes daquelas alamedas mostram-me tão torpe, mesmo, (“- Eu nu queria soprar, talvez rir o verniz no sorriso daquela corretora de pequenos imóveis, imóvel, cada álamo - uma salicácea oval perdida de mim”) quase não notara a igreja de um novo evangelho. E um cão passa ladrando...
      Os fios de luz emaranham-se com os da rede telefônica torcida, tensionada, como as vozes perdidas no barulho da fábrica de tecido.
      Trânsito congestionado.
      Me divido; sua rua não traz sorte a mais ninguém.
      Quem vagueia se perde em meio aos corpos infelizes e solitários que por ali consomem-se.
      No fino trapo a dor nos olhos que o padeiro carrega, amiúde, cada sonho seu, qual a costura que se misturam cozimentos e sonhos de que sua esposa engravide: esperança.
      Ao lado do prédio público (uma Prefeitura de funcionários entretidos com os números da sociedade) a funerária “Salve: Sua melhor despedida” empilha seus féretros atrapalhando na calçada a fila de apostadores que depositam toda sua sorte na urna da casa lotérica que se segue a dez metros dali. Garotos despedem-se da infância reparando algumas bicicletas por menos de um níquel. Esses são os novos pedintes de gerações que continuam a adaptar-se para obter êxito.
      A garoa que cai silenciosamente a tarde não afasta quem toma as doses de soluções pouco prováveis daquele conhecido boteco: uma tragada, nada mais...! Alguém se aproxima: “- Pô, mano, descola umas moedas só pra ‘intera’ de uma parada?” Mais um viciado conhecido.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Lendo Leila

Ela é  tão vertical como a árvore naquele bosque
Deslizando os dedos sobre linhas feitas de nylon
Seu  diário virtual são matizes de Lorde Byron
Flores albas desafiando Hegel em suaves toques

Da varanda vê- se um prédio, que embora triste
Viraria gentes a recortar o céu que é sua alma
Em versos, lados da  rua, como a mão, a palma
A mesma que tomara o violão e tocara o uísque

O olhar nunca se perde, sempre fita curioso algo
Paisagens, alimento interior ou fímbrias do belo
Na camada afetiva da mente as pedras criam elo
São a mesma sépia nos olhos que as tornaram alvo

A pele nua que veste cada parte vital do seu corpo
Contrasta o veste escuro com aquela forma clara
Transborda o desejo intenso de uma escritora rara
Como uma chuva em véus desnudando os morros

Quando escrever para os outros em poesia e prosa
Torna-se o fardo árduo de quem precisa ser ativa
Se ouve a dor do mundo ecoar do peito da artista
Cujos lábios ensaiam as mais sedutoras respostas
...

Leila morrerá de amor, de amor por ser honrosa.  

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

À Sombra da Verdade

Um pós-escrito a procura de sentimentos
Assim é o sonho na doce melancolia da íris castanha
Que inspiração satisfaz o poeta ou a poetisa diante da ausência?
O objeto é sempre tão abstrato quanto as letras que o tecem
As formas e as palavras no mundo
...céu de um dia concreto.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Canção em Desconstrução

Em frente... palavras nem tão próximas assim
Alguém diz que é prosa
Outros que é puro verbo
Da língua mínguam
E uma frase se perde no deserto das coisas nunca ditas antes
Aquela que se divertia com o azul
Em sua caminhada, tristes lados de uma única face da moeda
Trocaria os conselhos de um sábio aprendiz por outros...
digamos...velhos adjetivos?
Sim ou Não?
Três monossílabas, abas para as arestas da alma desalinhada
 de quem chega tarde de mais
Um lisonjeiro atrevido e sorrateiro
A despencar inebriado de bar em gotas de atenção disfarçada
Que veste toda a face pelas palavras, que mesmo ao longe
a compreende
Pois a afinação-afinidade da canção vem como um beijo
Que só os poetas ousam cantar!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O Biltre Diante do Anjo


Frente ao gatuno nas ruas da cidade gasta
Entre pessoas incomodadas com sua guisa
Da pessoa maculada e de melancolia rasa
Surge uma figura de bela esperança viva

Qual ciência estava além de sua perspectiva
O olhar piramidal do anjo a que nada escapa
Inquiria o magano por que sua antiga vida
Passava a sua frente sem deixar-lhe nada

Absorto ficou ao ver olhos tão destemidos
Longe de delatar-se um homem sem pudor
Na lente de sua face ardiam os cristalinos
Pela luz augural de profecia e de amor
Por um instante perdia a alma de felino
Noutro desejava voltar ao seu vil lavor
Tal o dom celestial daquela doce criança
Que em si todo o encanto provocava temor
No seu caminho desenhou uma nova aliança.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A sacia e o desejo


A sacia e o desejo
Dois convites para um beijo
Descubro após horas procurando
Como alguém que se extasia
O labor da palavra
Lasciva e quente
A escorrer entre dentes
De uma pessoa
Sedenta da forma
O sem-pudor das linhas não gastas
Passando pelas arestas
De carne, suor, repetidos atos
De um texto-textura-tecitura para além dos corpos
Prontos, ficamos todos, enlaçados nas ondas pós-prazer do teu reggae gostoso...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Te Vir e...

Ficar na tua. 
Já basta                                                             um pouquinho de loucura. 

    Entre                                         o céu                                             
                                                                                                    e a rua.
 
Eu 
            só                    
                       m e viro oriv e m. 
                                                                        

Desligo 
rádio
e
sigo
.
 

[Ilustração: Edu* (Borges...Ops!)Magno e Poema: Sr. Borges]

*Edu tem cinco anos, é apaixonado por fazer desenhos com esferográfica. Hora ou outra se auto-representa com personagns do Maurício de Souza e músicos de sua banda favorita...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Rosa e o Estame

Havia ali três rosas inquietas e breves
Numa madrugada de brisa curta e fria
Não bastava que fossem belas e alegres
Ou que alguma viria a encantar o dia

Se Deus deu a elas tão diferentes nomes
Se uma Rosa Vermelha apaixonaria a vista
Quando outra  Amarela de desejo se tange
Que terceira rosa impressionaria a vida?

Aquela das pétalas feitas de frases
Que todas as cores poderiam ser as suas
Talves rosa corada nascida de milagres

Amor raro, forte de estame, eternas buscas
Que seja azul de verdadeiro amor eterno
Porque sem ela estarei incompleto num deserto.
(Iustração e poema: Sr.Borges)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Dois Santos e Uma Vidente

 O coronel gostava muito também de banhar-se nas águas da enseada de Nª Sª do Tempo, localizada a alguns quilômetros da vila do Cafezal. Ia muito ali por devoção a santinha misteriosa que sustentava um penhasco portentoso apontado para a baia que se liga ao Mucuruçá. Tudo ao redor de onde a santa se destacava, com exceção, é claro, do gramado cintilante que se estendia de onde estava a santa ao caminho da casa dos donos do local e da estrada que dava acesso ao lugar, ruía pelo avanço das águas à beirada da terra firme. “Milagre!”, dizia o Coronel. E nessas idas e vindas do militar ao município de Barcarena foi que o acaso aproximou o coronel aos Farias, de onde surgiria a confiança política e as demais solicitudes....
(...continua em "Para Que Eu Possa Contar-Livro", de Braulino Poça Magno "O tempo e o espaço se reestruturam no discurso." Ilustração: Sr. Borges.)

Quinta Vá-lendo Cultura I: Manifesto "Eu faço"

Eu faço poesia para desabafar,
Para meu contentamento,
Para meu desencanto e meu acalanto.
Faço poesia para que não me torne mais ignorante do que sou e para que não seja degradante diante dos sonhos.
Eu faço poesia para desestabilizar o sentimento humano,
Para purificar espíritos e festilizar razões.
Eu faço poesia para os pobres de espírito,
Para que o significado de cada palavra ultrapasse sua imbecilidade.
Eu faço poesia para o analfabeto,
Para que este ao escutar um poema,
Produzido por uma voz lúcida de um louco qualquer em um desses bares da vida,
Ele possa acalmar sua ignorância.
Eu faço poesia para aqueles que de uma forma mesquinha tentam assassinar nosso vocábulo.
Eu faço poesia de tudo,
Em todo lugar e o tempo todo,
Eu faço poesia para esse e pra'quele,
Sem distinção de cor e credo porque acredito que a vida deva ser bem dita ou Bendita,
Eu faço poesia pra ser confundido com criatura e criado.
Eu faço poesia contra os pensamentos medíocres,
Porque são neles que estamos mortos,
Eu faço poesia pra morrer feliz e pra morrer melhor,
Porque ela serve como ópio,
Eu faço poesia porque acredito que a vida sem poesia não é vida,
Eu faço poesia e tem gente que não faz,
Mas para me escutar e isso pra mim é imprescindível.
[Lacerda, Manifesto (in) Completo "Eu faço" in PERSONA'RTE. Iustração: Sr.Borges]

terça-feira, 26 de julho de 2011

O Verão Contra Mim

Há entre eles poréns
E eu aqui quase sem
Fico a esperar pela brisa
Não torna, em vez disso
Ocorre que nenhum vento sai da praia
Tudo permanece inerte
Nesse refluxo que é a vida
Das crianças, esperanças tortas
De um tortuoso verão
Da areia que aquecida pelo Sol
Para as pessoas e para esses gãozinhos de tardes
O que nos resta nesse tanto-desencanto
Não dá nem para remar
Meu barco perdeu-se enterrado na areia...
(Iustração e poema: Sr.Borges)

O que “não” silencia

Maquiavél tem razão. É necessário ser rancoroso.

Ficar a espreita; é ser lebre, dar bote no lobo.

O padre tem seu púlpito.

O louco, o seu súdito.

Contradiz Geraldo:

Se você não quiser vir, pro que der e vier comigo...

Satisfaz teu alto ego:

E empurra abaixo o “não” antigo.

Visto minha roupa de bandido

Roubo e bato no mendigo.

Dou conforto e esmola aos ricos.

E o que mais não tenho dito...

Fica o dito por não cito, assim, bem indizível.

Completa, a fase rouca de Picasso, será a nova moda da estação.

Atura body - art, venda nos olhos com anão.

Um Beuys Novus inspirado na Grande Guerra da Farinha Meu Pirão III.

Emoção! Muita emoção!
Eu continuo com os nãos.

Num conflito, "não" aceita opinião.

O corpo é inspiração, o banco e a receita
De por prego no prato e pratos sobre mesa.

Pobre Acácio, que não poupou despesas!
Morreu muito certo de absoluta certeza.

Vítimas do acaso são sentimentos de rara beleza.

Emudeceu bem os lábios?

Agora...
Favela!!!